Lady Snowblood: A Filha da Vingança

Conheça a filha do submundo, o fruto do amor e do ódio, um filme sobre vingança com várias menções metafóricas e filosóficas que só os orientais conseguem conceber. Este filme é um delírio visual e uma obra-prima singular.

Este filme de 1973 é uma adaptação para o cinema do mangá homônimo escrito por Kazuo Koike e ilustrado por Kazuo Kamimura lançado no Japão na década de 1970. Ele remete à época do ano 7 da era meiji (1874) no Japão, uma era de transição de sua cultura milenar para a cultura ocidental. Uma era de violentos conflitos estava em andamento entre os japoneses revoltosos contra a doutrinação dos países estrangeiros e o governo japonês (comandados pelas superpotências ocidentais) que queriam a modernização do seu país. Nesta premissa de instabilidade e caos, nasce Shura Yukihime ou a filha do submundo em uma prisão putrefata do Japão feudal, onde sua mãe foi colocada por arquitetar um plano para se vingar de bandidos que covardemente chacinaram sua família e a estupraram.

Assim, nesta prisão, nasce uma bebê destinada a carnificina, um ser vivo concebido pelo ódio trazido por este sentimento mortal de vingança que tem como objetivo equilibrar e colocar o mundo novamente no seu eixo. Desde criança ela é doutrinada a se tornar um demônio num corpo humano, um ser destituído de qualquer sentimento de clemencia ou piedade, que tem a missão de vingar os injustiçados e os oprimidos pelos japoneses que se entregaram aos métodos inescrupulosos e desumanos dos ocidentais para a obtenção de lucros, oprimindo e explorando seus conterrâneos. A sua missão primordial, àquela que ela foi destinada, é exterminar os malfeitores que destruíram a vida de sua mãe por pura ganancia.

snowblood

Assim começa o treinamento do corpo e do espírito de Shura Yukihime ou Lady Snowblood (interpretada pela bela e enigmática Meiko Kaji, que também é cantora e interpreta magistralmente a música que compõe a trilha sonora principal do filme, Flower of Carnage) por um tirânico mestre escolhido à dedo por sua mãe antes dela morrer durante o parto de Lady Snowblood.

Por onde ela passa com sua sedenta sede de vingança, armada com sua mortal lâmina escondida num guarda-chuvas, rios de sangue são derramados ou a neve branca é transformada em vermelho sangue fazendo uma analogia ao inferno ou ''Jigoku'', o vermelho forte se mistura ao cenário como uma metáfora de que o território japonês estava sendo banhado descontroladamente pelo o sangue de vários dos seus filhos, devido à uma guerra começada por países estrangeiros.

As cenas de ação são intensas, sangrentas e estilosas que sofreram influencia dos westerns spaghetis italianos e do expressionismo japonês. É quase impossível não perceber também a influencia de outros mestres do cinema nipônico, como Kenji Misumi, Akira Kurosawa e Masaki Kobayashi em todo o filme.

O cineasta Toshiya Fujita concebeu um filme de vingança que só os orientais sabem fazer, um filme filosófico, violento e estiloso. As atuações são convincentes e a direção de arte é fantástica, a cenografia oriental e sua beleza singular foram muito bem exploradas neste filme.

O filme é contado em capítulos que remetem a trajetória de vingança e sanguinolenta de Lady Snowblood, o filme possui vários desenhos ilustrando a narrativa, estas ilustrações foram desenhadas pelo próprio Kazuo Kamimura o ilustrador do mangá do qual este filme foi baseado.

 
Esta análise faz parte do projeto Cinema Grindhouse: 250 Clássicos Revisitados.

 
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