Nightcrawler: O Mediatismo Selvagem

O filme é uma parábola de até onde vai os limites do jornalismo sensacionalista através da ótica de um misantropo freelancer que ganha a vida vendendo imagens para noticiários locais que registra toda a violência urbana que assola Los Angeles. Lou Bloom possui uma personalidade tétrica, mesquinha, um articulador, um ladrão barato, um excluído que vê a oportunidade de sua vida quando voltando para casa presencia o trabalho de alguns freelancers num acidente de carro, ele especula, compra uma câmera e um scanner da polícia e começa a fazer deste trabalho a sua missão de vida, sua religião, algo pelo o qual ele será sempre lembrado.

Acompanhamos Lou Bloom - em mais uma interpretação fantástica de Jake Gyllenhaal - através das ruas de Los Angeles, percorrendo esquinas, becos e grandes centros atrás de desgraças, sejam elas acidentes de carro, assassinatos, estupros, suicídios, qualquer coisa que dê audiência. Lentamente o lado monstruoso da personalidade de Lou Bloom vai se revelando, suas aspirações por carnificina, sua ânsia por desastres e seu comprometimento com a imagética da tragédia é algo chocante.

O dinâmico e provocador roteiro escrito pelo o também diretor do filme Don Gilroy faz uma pesada crítica a industria do medo, uma cultura difundida por noticiários sensacionalistas que lucram com a histeria coletiva e que freelancers como Lou Bloom são indispensáveis para mante-la. Como é vergonhoso pensar que trabalhos assim se fazem necessários em nossa atual sociedade de exploração e consumo, trabalhos onde o respeito por outro ser humano é transgredido de uma forma tão brutal e covarde tendo como objetivo o entretenimento vazio e supérfluo de uma grande parcela da população.


A manipulação midiática também é abordada de forma sublime neste filme, vemos aqui que pessoas como Lou Bloom apenas são a ponta do iceberg de uma rede muito maior e poderosa que lucra difundido mentiras, alterando fatos e se objetivando em especulações aparentemente verdadeiras. Infelizmente as críticas mostradas neste filme é um padrão seguido pelos telejornais de grandes cidades de quase todas as redes de televisão espalhadas pelo o mundo. Os executivos desses telejornais menosprezam a opinião popular fazendo com que as massas considere profundo tudo aquilo que contradiz a ideia geral, assim os telejornais criam apenas sensações ignorando a verdade, um método de manipulação que dá resultado já que não existe um controle de aspectos populacionais como o comportamento mais eficaz do aquele empregado através do medo.

Somos o alvo da industria do medo e devemos procurar filtrar tudo aquilo que eles jogam descontroladamente em cima de nossa psique visando atingir nossos sentimentos manipulando o senso comum e ditando o que devemos fazer para segir com nossas vidas e o mais importante para eles, o que devemos comprar para nos sentirmos seguros e felizes. As misérias de nossa sociedade não estão nos crimes hediondos que advém na maioria das vezes de uma teia social formada por excluídos e marginalizados, estão sim na mesquinharia das paranoias populares proporcionadas por grandes empresários das desgraças humanas.

 
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