Esta ficção científica dirigida pelo o mestre dos filmes exploitation norte-americano Roger Corman, nos afronta em lidar com questões existenciais tão complexas de uma forma tão simples, o roteiro do filme é de uma hermeticidade simplória genial.

O dr. James Xavier interpretado magistralmente por Ray Milland descobriu uma fórmula capaz de fazer com que o olho humano enxergue através de objetos, acreditando assim que isto seria a salvação de vários doentes que poderiam a vir ter um diagnóstico mais preciso de suas enfermidades enquanto analisadas por médicos que se utilizam dessa droga, descartando assim os erros e limitações dos aparelhos eletrônicos, todavia, sua fórmula não pode ser divulgada e nem testada em seres humanos por questões éticas, então ele mesmo a experimenta e como toda droga que proporciona sensações intangíveis e inimagináveis por consciências limpas de qualquer química, ela o deixa obcecado, sempre buscando de forma desgovernada os prazeres sobrenaturais que esta droga proporciona a cada nova dose até ele ultrapassar a consciência do senso comum, entrando num caminho sem volta. Assim ele entra numa espiral de desatinos que poderá sacrificar toda sua carreira como um brilhante médico, e até sua própria vida.
O filme também faz uma brilhante crítica aos charlatões que dizem terem poderes sobrenaturais, visando a manipulação e agregação de fiéis afim de enriquecer seus próprios bolsos ou apenas alimentarem a ideia de serem taxados como seres superiores. O que uma pessoa inescrupulosa que se aproveita das superstições populares pode fazer quando ela enxerga aquilo que ninguém vê, que faz uma leitura fria que pode dizer tudo sobre alguém que ela nunca viu na vida.
É incrível como estes filmes de baixo orçamento estimulam a imaginação de seus autores, para eles a falta de recursos para se conceber um filme é apenas uma mera adversidade e nunca um empecilho. As visões de raio X do personagem principal são feitas com os mais baratos efeitos especiais, mas isto não as tornam em algo cômico ou fútil, muito pelo o contrário, tudo isto misturado com boas atuações e com um roteiro forte e conciso pode se transformar em algo genial, e este filme se adequada perfeitamente na segunda situação.
Esta análise faz parte do projeto Cinema Grindhouse: 250 Clássicos Revisitados.
[…] O Homem dos Olhos de Raio-X (Roger Corman, 1963) […]
ResponderExcluir